Itens: 0   Peso: 0.00   Total: R$0.00
Ir ao caixa
 
 
Editorial 
Resenhas 
Carta do Leitor 
Resposta ao Leitor 
Expediente 
Materias 

Assine
Informe Phorte

gratuitamente!
Clique aqui!
  INFORME PHORTE - ANO 11 Nº24 - OUTUBRO A MARÇO - 2008/2009


MATÉRIAS
 
  • MARKETING PESSOAL – UMA AVALIAÇÃO EM PROL DA ATUALIZAÇÃO PROFISSIONAL
  • OBESIDADE INFANTIL - UM TRABALHO QUE EM CONJUNTO GERA BONS RESULTADOS
  • ORDEM DOS EXERCÍCIOS
  • PESQUISA GENÉTICA NO ESPORTE E O CONFLITO SUSCITADO PELOS ATLETAS GENETICAMENTE MODIFICADOS
  • TREINAMENTO FUNCIONAL

    PESQUISA GENÉTICA NO ESPORTE E O CONFLITO SUSCITADO PELOS ATLETAS GENETICAMENTE MODIFICADOS



    Andréa Ramirez - Mestre em Biologia/Genética pelo IB-USP


    Em 1856, quando Mendel estabeleceu as leis da hereditariedade, seria impossível prever o desenvolvimento e as perspectivas futuras da genética, inclusive no esporte. Recente, e resumidamente, vivenciamos no cenário internacional a discussão acerca dos alimentos transgênicos (1996), a clonagem da ovelha Dolly (1997), o seqüenciamento do genoma humano (2000), os estudos na área da proteômica (1998) e  da metabolômica (2003), além das pesquisas focadas nas perspectivas em terapias gênicas para a cura de enfermidades humanas (desde 1990).

    No Brasil, principalmente após a qualificação técnica oriunda do projeto de seqüenciamento da Xillela fastidiosa (2000), a pesquisa genética adquiriu qualidade internacional, especialmente com relação à genética humana e médica, área na qual assinamos diversos artigos científicos em revistas internacionais relatando ineditismo na identificação e seqüenciamento de genes humanos responsáveis por doenças genéticas tais como câncer, distrofias musculares e doenças cardiovasculares, entre outras, além do desenvolvimento de técnicas laboratoriais inovadoras. Não obstante, o país se mostra na vanguarda científica diante da resolução do Supremo Tribunal de Justiça pela continuidade das pesquisas com células-tronco embrionárias, sem perder o compromisso ético anteriormente estabelecido por meio da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (1996).  

    De fato, as pesquisas visando terapias gênicas nacionais e internacionais, incluindo células-tronco somáticas e embrionárias, prometem uma mudança no paradigma clínico quanto à prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças humanas herdadas e adquiridas. Apesar de ainda estarem restritas a protocolos experimentais e distantes de políticas de saúde pública, consistem basicamente na introdução de genes ou células geneticamente modificadas nos tecidos humanos com o objetivo de bloquear a atividade de genes prejudiciais, ativar mecanismos de defesa imunológica, ou produzir moléculas de interesse terapêutico. Entretanto, desde 2001, tais pesquisas forneceram elementos que geraram um conflito rotulado por doping genético no Esporte em 2003.

    Como discernir se a presença de atletas geneticamente modificados terá sido por terapia gênica ou doping genético? Na tentativa de resolver a questão, a Agência Mundial Antidoping (WADA) tem disponibilizado verbas aos geneticistas interessados em pesquisar tecnologias antidoping genético. Atualmente, existem 144 projetos, alguns já concluídos e com resultados disponíveis no portal da WADA (www.wada-ama.org).

    Seria o momento de celebrarmos a interdisciplinaridade científica entre o esporte e a genética em prol do desenvolvimento científico e tecnológico se não houvesse o registro histórico do Programa de Genética e Biologia Humana realizado pelo Comitê organizador dos Jogos Olímpicos do México em 1968, com apoio da Comissão Nacional de Energia Nuclear Mexicana, do COI e da Federação Internacional de Medicina do Esporte cujos objetivos foram investigar: a) a genealogia esportiva dos atletas, b) os traços genéticos relacionados às habilidades esportivas, c) a interação entre genética e fatores ambientais envolvidos no treinamento, d) aplicar os resultados dessas investigações na compreensão da biologia e da genética humana, e) aplicar os resultados à detecção de talentos esportivos. Entre os vários motivos especulativos que poderiam ser apontados para explicar a descontinuidade de projetos deste porte nas versões subseqüentes dos Jogos Olímpicos, está a questão da eugenia, suscitada quando o assunto é direcionado para a detecção e seleção genética de talentos esportivos. Mas será que, diante da possibilidade concreta de modificações genéticas, todos os pais de atletas e os próprios atletas desejariam modificar exatamente os mesmos genes? Ou será que haveria uma gama indetectável de modificações genéticas que poderiam promover aumento no desempenho esportivo?

    O fato é que o incentivo ao desenvolvimento da pesquisa genética para além da mera busca por testes antidoping genéticos ofereceria, atualmente, maiores condições para responder às questões propostas pelo programa mexicano, auxiliaria no desenvolvimento de terapias gênicas para a medicina desportiva, colaboraria com o acompanhamento médico longitudinal de atletas visando um esquema antidoping preventivo considerando a variabilidade genética de cada atleta, e melhoraria a compreensão de processos genéticos envolvidos com a promoção e manutenção da saúde humana em geral.

    Cada vez mais, os pesquisadores brasileiros têm formação e competência técnica para auxiliar no resgate desta lacuna de pesquisa genética no esporte e retirá-lo do conflito imposto pelo desenvolvimento de tal tecnologia no Brasil e no mundo. Falta apenas uma compreensão mais ampla da genética humana e incentivo político.

     Certo de que as perspectivas da genética modificarão a estrutura do Esporte da mesma maneira que as demais estruturas das sociedades, o filósofo britânico Andy Miah, da universidade de Glasgow, autor do livro Atletas Geneticamente Modificados (traduzido pela Phorte Editora), contribui com uma reflexão filosófica questionando eticamente os valores do esporte diante da inserção de atletas geneticamente modificados de forma intrigante, pois, além de não encontrar argumentos éticos para se proibirem as modificações genéticas nos atletas, diz que: “Os argumentos éticos contra o uso do doping no esporte não têm a mesma força quando aplicados à modificação genética. Além disso, seria um erro categorizar melhoramento genético meramente como outra forma de doping, já que é, conceitual e culturalmente, um tipo diferente de tecnologia”, Assim, ele afirma que o esporte precisa da modificação genética. Vale a pena conferir.

     

    Profa. Ms. Andréa Ramirez
    Bióloga, mestre em Biologia/Genética pelo IB-USP, professora de Genética da EF-FMU, administradora da cevgenética do Centro Esportivo Virtual e especialista em Genética - CRBio 18186/01-D

    Contato: andrea@cev.org.br

  •  

     Revistas Online
     
    1
    2
    3
    4
    5
    6
    7
    8
    9
    10
    11
    12
    13
    14
    15
    16
    17
    18
    19
    20
    21
    22
    23
    24
    25

     Phorte Editora Ltda
     R. Treze de Maio, 596
     Bela Vista - Sao Paulo - SP - cep: 01327-000
     Tel/Fax: 11 3141-1033