Itens: 0   Peso: 0.00   Total: R$0.00
Ir ao caixa
 
 
  Yoga: Implicações no Padrão Postural  
  Telma V P M Ferraz  

Revista On-Line - Ano 1 / nº 1
RESUMO Este estudo teve o objetivo de mostrar as técnicas aplicadas no Yoga e suas influências física, mental e emocional no indivíduo que as pratica. As técnicas consistem em alongamentos, trabalho respiratório, relaxamento, meditação e práticas de ordem moral. Sendo o Yoga uma técnica milenar, buscou-se no presente trabalho compreende-la sob o ponto de vista ocidental, visto que vem ganhando espaço, ultimamente, em academias, na mídia, etc.. Este modismo que se instalou recentemente, nos levanta a questão dos benefícios desta prática para o padrão postural ideal, tanto de quem o pratica, como de quem o aplica. O Yoga é uma ciência - arte completa, mais do que isso, podemos dizer que é uma filosofia de vida, pois atinge o ser em sua totalidade, não dissociando o físico, mental e emocional. Concluiu-se neste estudo que a prática do Yoga pode trazer benefícios ao indivíduo como um todo, já que seu padrão postural está intimamente ligado a sua forma de interagir com o mundo, sua personalidade, sua respiração, seu estado mental. Seu corpo é o reflexo de suas atitudes e seus comportamentos em reação aos estímulos do ambiente. Portanto, esta prática proporciona o bem estar, a saúde, o equilíbrio holístico do ser. INTRODUÇÃO O Yoga, técnica milenar desenvolvida na Índia, vem ganhando espaço, ultimamente, na mídia e por conseguinte, aumentando sua atuação em academias e espaços específicos para este fim. Esta expansão rápida de suas técnicas no Ocidente, nos levanta as seguintes questões: quais os benefícios do Yoga para o padrão postural ideal? Existem prejuízos? Se existem, quais são? Vemos, hoje, um número crescente de pessoas aderindo aos mais variados programas, mas quem são os profissionais que ministram as aulas? Não existindo uma regulamentação vigente, qualquer pessoa pode se habilitar a ministrar aulas de Yoga, sem a preocupação com o aspecto ético, pedagógico e didático, além das noções básicas de anatomia, fisiologia e biomecânica. Dado que, no Ocidente, a valorização do ser se dá de maneira diferente a enfocada no Oriente, dificulta-se a pesquisa, no que se refere ao trabalho respiratório e à meditação e seus efeitos fisiológicos durante a prática continuada. Quanto à meditação, encontramos uma diversidade de conceitos e metodologias na estrutura ocidental que se confundem e entrelaçam, discordando das técnicas orientais que são específicas e bem definidas. Devido à ampla gama de estudos referentes aos diversos tipos de alongamento, podemos notar opiniões controversas quanto aos mesmos e o que chamamos posturas (asanas) e suas aplicações técnicas. Devido à ampla gama de estudos referentes aos diversos tipos de alongamento, podemos notar opiniões controversas quanto aos mesmos e o que chamamos posturas (asanas) e suas aplicações técnicas. OBJETIVOS Este estudo tem como objetivo esclarecer as técnicas milenares aplicadas no Yoga, resistindo as transformações do tempo, mantendo sua essência intacta, e suas influências nos âmbitos físico, mental e emocional do indivíduo. Como se processa as transformações que acontecem durante e após a prática, envolvendo o padrão postural e, por conseguinte, à saúde integral daquele que a pratica. As técnicas têm como base de ação práticas de ordem moral, alongamentos, exercícios de fortalecimento, trabalho respiratório, relaxamento e meditação. Sendo o Yoga uma técnica milenar, busca-se neste estudo compreende- la sob o ponto de vista ocidental, onde a procura por padrões de comportamento facilitadores da qualidade de vida, hoje, encontram ‘novos’ caminhos. Busca-se, então, na ciência e metodologia ocidentais, as bases já existentes no Yoga, trazendo à luz os caminhos a tanto trilhados no Oriente; procurando o que a própria palavra Yoga significa - União. REVISÃO LITERÁRIA 1 - YOGA: Yoga, palavra masculina sânscrita, que significa união, é de forma poética definido pelos orientais como sendo a união mais profunda do ser com o Absoluto, a integração total com o universo e tudo que nele há. O Yoga possui sete ramos clássicos, descritos resumidamente a seguir, já que não são objetos de nossa pesquisa, porém merecem esclarecimentos para evitar dúvidas posteriores que eventualmente possam surgir. Hatha Yoga: Yoga do domínio da mente e do corpo Raja Yoga: Yoga Real, do domínio interno dos mecanismos da atividade mental. Tantra Yoga: Yoga das energias psíquicas e fisiológicas. Mantra Yoga: Yoga das vibrações internas e externas. Karma Yoga: Yoga da ação. Bhakthi Yoga: Yoga da devoção. Jnana Yoga: Yoga do conhecimento 1.1 - HATHA YOGA: O Hatha Yoga é um processo que tem a finalidade de aperfeiçoar e dominar plenamente o físico através de práticas constantes e naturais, muitas vezes, confundido erroneamente com ginástica. A prática do Hatha Yoga envolve técnicas específicas e comuns a ele e ao Raja Yoga; entre elas destacamos, por serem pertinentes ao nosso objeto de estudo: Plano Moral: Yamas - Niyamas Plano Psico-físico: Asanas - Nidra - Pranayamas Plano Mental: Dharana 1.1.1 - Plano Moral: 1.1.1.1 - Yamas ou abstenções: Ahimsa: não violência. Satya: verdade. Asteya: não roubar. Brahmacharya: celibato ou caminhar com Deus, estudo religioso e moderação. Aparigraha: não cobiçar. 1.1.1.2 - Niyamas ou observâncias: Saucha: pureza. Santosha: contentamento. Tapas: austeridade. Svadhyaya: auto análise. Ysvara Pranidhana: entrega a Deus. 1.1.2 - Plano Psico-físico: 1.1.2.1 - Asanas: “Asana [...] significa postura ou atitude do corpo” (Miranda, 1979: 48). 1.1.2.2 - Nidra: Nidra significa relaxamento. É simbolizada pela posição do cadáver (shavasana). 1.1.2.3 - Pranayamas: Pranayama significa literalmente, controle do prana ou energia, prana em sânscrito quer dizer energia. A respiração yogui tem 4 fases: Puraka - inspiração. Kumbhaka - retenção. Rechaka - expiração. Sunyaka - suspensão. Para Duarte (1983), a respiração pode ser torácica, abdominal alta e abdominal baixa, esta última, porém, não é usada no Ocidente. A prática dos pranayamas pode ser energizante, equilibradora ou relaxante. Pode-se praticar na posição deitada ou sentada; na posição deitada, os efeitos são sobre a circulação, é relaxante; já na posição sentada, produz concentração, revigoramento físico e energético. 1.1.3 - Plano Mental: 1.1.3.1 - Dharana: O termo dharana, em sânscrito, significa concentração. 2 - ENFOQUE OCIDENTAL 2.1 - POSTURA: De acordo com Mercúrio (1997): “É difícil tentarmos definir o que seja a boa postura; é claro que o nosso corpo está disposto pela natureza de maneira a permitir o funcionamento de suas juntas de modo mais favorável, com melhor aproveitamento das forças, com o mínimo de desgaste, é o mínimo esforço segundo a lei do menor esforço ou da máxima economia.” 2.2 - ENFOQUE PSICOLÓGICO Reich (1990), analisava em detalhes a postura de seus pacientes e seus hábitos físicos a fim de conscientizá-los de como reprimiam sentimentos vitais em diferentes partes do corpo. 2.3 - FLEXIBILIDADE A ALONGAMENTO Segundo Alter (1999), a flexibilidade é parte integrante da aptidão física, assim como a força, resistência muscular, resistência cardiorrespiratória, porém não existe como característica geral, é específica de uma articulação particular e ação articular. 2.4 - RESPIRAÇÃO Segundo Alter (1999), por milhares de anos, tem-se sabido que várias técnicas de respiração facilitam o relaxamento, um ex.: Hatha Yoga. 2.5 - RELAXAMENTO Coville (1979) define relaxamento como “habilidade para controlar a atividade muscular para que os músculos não requeridos especificamente para uma tarefa estejam em repouso e aqueles que são requeridos sejam aquecidos no nível mínimo necessário para atingir os resultados desejados”, “pode ser considerado (o relaxamento) como uma habilidade motora em si, mesmo porque a habilidade para reduzir o aquecimento muscular é tão importante para o controle motor quanto a geração de aquecimento”(citado por Alter, 1999: 118) 2.6 - MEDITAÇÃO A meditação pode ser definida, segundo Fadiman et al. (1986, p.171) “como o ato de dirigir, acalmar, aquietar ou focalizar a consciência normal de uma maneira sistemática.” A meditação pode ser praticada em silêncio ou com barulho, com os olhos abertos ou fechados, sentado, andando ou quieto. Há centenas de práticas técnicas e sistemas de meditação. A pesquisa está apenas começando a descobrir como a meditação afeta comportamentos psicológicos ou fisiológicos. CONCLUSÃO Concluiu-se no presente estudo que as técnicas aplicadas no Yoga em muito beneficiam o padrão postural do indivíduo, desde que aplicadas corretamente, por um profissional capacitado. Através das práticas de ordem moral o indivíduo é levado a encontrar os caminhos que norteiam sua trajetória em direção a uma vida mais saudável e natural. A prática dos asanas, apesar de debatidas por alguns autores, demonstram trazer mais pontos positivos do que negativos para o indivíduo que os pratica, já que a liberação das tensões musculares, a correção dos problemas de postura em geral liberam os movimentos, a expressão dos sentimentos represados, tornando o indivíduo presente em seu momento, consciente de seu corpo e de suas sensações, de suas capacidades e limitações. O relaxamento não só libera as tensões musculares, como também tranqüiliza a mente, suspende os impulsos elétricos do sistema nervoso, normaliza o metabolismo, o ritmo cardíaco, a respiração, etc.. O trabalho respiratório, tem profunda atuação sobre o psiquismo, liberando as emoções, auxiliando o relaxamento físico e mental, confere um caráter de alongamento sobre os músculos respiratórios, auxiliando o ajuste do padrão postural, revigora a energia corporal, melhora o metabolismo, a circulação, a digestão, auxilia no parto, entre outras. A meditação carece de mais pesquisa, porém acredita-se que sua atuação na fisiologia cerebral refere-se a liberação das tensões no tecido nervoso, razão pela qual o indivíduo não consegue raciocinar, perde sua capacidade de enfrentar situações estressantes de maneira criativa, gerando estados de debilidade de sua saúde física também. Podemos perceber também que ao se transformar o padrão postural do indivíduo, alteramos não só sua forma como também sua fisiologia. Os estudos indicam que a estrutura e seu funcionamento estão intimamente ligados, em constante transformação, interagindo com o ambiente e com os processos internos. Assim sendo, as técnicas aplicadas no Yoga muito tem a beneficiar o funcionamento orgânico, a estrutura física como um todo, o bem estar psicológico, emocional e espiritual do indivíduo que o pratica com regularidade e determinação. Isto significa dizer que através do trabalho corporal efetuamos mudanças de ordem interna e vice e versa. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alter, M. (1999). Ciência da flexibilidade. Artes Médicas sul: Porto alegre. Arora, H. L. (1992). Ciência moderna sob a luz do yoga milenar. Imprensa Universitária da Universidade Federal do Ceará: Fortaleza. Bienfait, M. (1999). Fáscias e pompages. Summus: São Paulo. Brieghel-Müller, G. (1998). Eutonia e relaxamento. Summus: São Paulo. Campignion, P. (1998). Respir-ações. Summus: São Paulo. Cook, J (1999). Denys-Struyf, G. (1995). Cadeias musculares e articulares. Ed. Summus: São Paulo. Duarte, C. (1983). Manual de formação de professores. apostila --------------(1987). A libertação pelo corpo físico. Revista planeta extra, hatha yoga. 11-29. Ed. Três: Rio de Janeiro. --------------(1987). Restrições ou abstenções. Deveres ou observâncias.Revista planeta extra, raja yoga. 26-30. Ed. Três: Rio de Janeiro. Fadiman, J. & Frager, R. (1986). Teorias da personalidade. Ed. Harbra: São Paulo. Gallagher, S. P. e Kryzanowska, R. (2000). O método pilates. The Pilates Studios do Brasil: Guarulhos. Gerber, R. (1997). Medicina vibracional. Ed. Cultrix: São Paulo. Goleman, D. (1999). A arte da meditação.sextante: Rio de Janeiro. Guisellini, M. (1996). Qualidade de vida. Gente: São Paulo. Guyton, A. C. (1988). Fisiologia humana. Guanabara Koogan: Rio de Janeiro. Herrigel, E. (1995). A arte cavalheiresca do arqueiro zen. Pensamento: São Paulo. Iyengar, D. K. S. (1995). Light on yoga. Shocken Book: New York. Keleman, S. (1992). Anatomia emocional. Summus: São Paulo. Kendal, F. P. & Mc Creary, E. K. (1986). Músculos, provas e funções. Manole: São Paulo. Lasater, J. (1999). Breathing lessons. Yoga Journal, n o 146, 104-108. Lowen, A. (1982). Bioenergética. Summus: São Paulo. --------------(1988). Prazer. Summus: SãoPaulo. Mercúrio, R. (1997). Dor nas costas nunca mais. Ed. Manole: São Paulo. Miranda, C. (1979). Hatha, o abc do yoga. Ediouro: Rio de Janeiro Motoyama, H. (1993). Teoria dos chakras. Pensamento: São Paulo. Picozzi, M. (1998). Perfect posture. Yoga Journal, n o 141, p. 88-95. Pierce, M. (1998). Breathing for modren life. Yoga Journal, n o 142, 104-106. Radha, S. (1987). Hatha yoga: the hidden language. Timeless Books: Porthill. Reich, W. (1990). A função do orgasmo. Círculo do Livro: São Paulo. Schneider, C. (1999). Ouch! Yoga Journal. N o 147, 07, p. 36-43, 121. Sivananda, S. (1993). A ciência do pranayama. Pensamento: São Paulo. Souchard, Ph. E. (1997). As autoposturas respiratórias. Manole: São Paulo. ---------------(1997). Esculpindo seu corpo. Manole: São Paulo. ---------------(1989). O diafragma. Summus: São Paulo ---------------(1989). Respiração. Summus: São Paulo. Tondriau, J. e Devondel, J. (1972). Guia do yoga. Moraes Editores: Lisboa. Vetillo, W. (1986). Liberar a chama divina. Planeta yoga extra. 07-11. Ed. Três: Rio de Janeiro.

 Phorte Editora Ltda
 R. Treze de Maio, 596
 Bela Vista - Sao Paulo - SP - cep: 01327-000
 Tel/Fax: 11 3141-1033