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A Real Interferência da Atividade Física no Combate a Obesidade
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Sandro Ochôa Tavares |
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| Revista On-Line
- Ano 2 / nº 3 |
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OBJETIVO
Definir a real interferência da Atividade Física no Combate a Obesidade.
INTRODUÇÃO
O estilo de vida contemporâneo provocou mudanças nos hábitos
populacionais. O excesso de trabalho, a falta de tempo e oportunidade
para o preparo de alimentos caseiros, a impossibilidade de se ter
momentos de lazer fora de casa e outros fatores, levaram a população a
provocar grandes erros nutricionais e comportamentais. As pessoas
mantém um estilo de vida marcado pelo sedentarismo e alimentação
inadequada composta por lanches desequilibrados e grande velocidade
nas refeições (Fisberg, 1993).
Os hábitos alimentares inadequados e o sedentarismo fazem parte
também do universo infantil atual. As crianças e adolescentes ingerem
cada vez mais alimentos industrializados, geralmente de alto teor
calórico e baixa qualidade nutricional. Além disso, a prática de assistir à
televisão várias horas por dia e a difusão dos jogos eletrônicos levaram
as crianças a diminuírem as atividades de lazer que proporcionam algum
gasto energético e incentivam a prática de atividades motoras (Taddel,
1993; apud Fisberg, 1993).
Esses fatores podem ser analisados como os principais causadores do
grande aumento na proporção de adultos obesos nos últimos anos. As
análises comparadas dos inquéritos nacionais de 1974 e 1989
evidenciam que ocorreu um crescimento de 75% e 60%,
respectivamente, na proporção de homens e mulheres obesos (Instituto
Nacional de Alimentação e Nutrição - INAN, 1991; apud Fisberg, 1993).
Se sabe que a obesidade cria condições para o desenvolvimento de
vários problemas de saúde, como circulatórios, respiratórios,
dermatológicos e ortopédicos (Santoro, 1996), reforçando, assim, a
importância de sua prevenção e tratamento, tanto na infância como na
idade adulta.
Seria de grande valia se iniciássemos a intervenção da obesidade
durante a infância ou adolescência, pois quanto maior a idade e maior o
excesso de peso mais difícil torna-se a alteração do quadro, tanto pelos
hábitos já incorporados (alimentares e físicos) como pelas alterações
metabólicas (Vítolo, 1993; apud Fisberg, 1993). Além disso, pesquisas
mostram que é durante a adolescência que ocorrem mudanças tanto no
tamanho quanto no número de células adiposas. E uma vez aumentado
o número de adipócitos é impossível ocorrer a sua redução, inclusive
através de medicamentos (Unger, 1990). A atividade física exerce um
importante papel no controle e intervenção da obesidade em qualquer
idade.
O presente trabalho visa enfatizar essa importância, além de sugerir
atividades físicas adequadas para ajudar a reversão do quadro de
obesidade.
RESUMO
Obesidade é definida como excesso de tecido adiposo corporal. Ela pode
ser considerada como doença, embora haja discordâncias nesta
definição, e como desvio do bom estado nutricional. Para que ocorra isto
a "balança energética" deve ser positiva. O equilíbrio desta balança
garante a manutenção do peso corporal, só que para reverter o quadro
de obesidade devemos manter esta balança negativa, aliado a um gasto
energético mais intenso (metabolismo basal, atividade muscular,
digestivo). Para isso devemos reconhecer os "Tipos", "Causas" e
"Conseqüências" da obesidade, paralelamente a definição dos efeitos da
Atividade Física no corpo humano que favoreçam no combate a mesma,
estimulando resultados fisiológicos positivos neste aspecto. Porém,
sabemos que os exercícios físicos serão utilizados como um
complemento no tratamento da obesidade, juntamente com outros
métodos, assim como a dieta. Qualquer um destes utilizados
isoladamente certamente não será eficiente, se o objetivo for diminuir a
gordura em relação a composição corporal. No entanto para ser benéfica
na intervenção da obesidade, o tipo de Atividade Física deve ser
adequada, assim como sua intensidade, freqüência e duração. A
adequação da mesma vem também de acordo com a idade, na infância
e adolescência a Atividade Física é muito importante em seus estímulos
motores, pois, esta idade é uma fase de desenvolvimento o que acarreta
numa transformação esquelético-muscular e funcional muito grande,
logo, o que ingerimos e quanto é de extrema importância para a
mesma. Já na fase adulta a alimentação também é importante, porém,
este quadro se reverte no que diz respeito ao gasto energético basal,
pois se alcança um equilíbrio funcional ou até numa diminuição, o que é
verificado no envelhecimento, e aí a Atividade Física tem sua ênfase,
tanto no combate como na prevenção. Logo, um programa de Atividade
Física para um indivíduo obeso, levando-se em consideração ao que já
vimos anteriormente quanto à alimentação, seria um treinamento com
potencial aeróbio, de média a longa duração, onde os implementos de
resistência e força muscular entre outros são interessantes, porém, que
seja de acordo com a capacidade de cada um, se respeitando as
diferenças da própria composição corporal, idade e predisposição para a
atividade. Fatores importantes para a manutenção do programa de
treinamento para que seja de forma prazerosa do ponto de vista
psíquico-sócio-econômico, além da capacidade individual de
desempenho, é importantíssimo para que o mesmo seja mantido.
CONCLUSÃO
Revisados tais estudos e constatações podemos concluir que a atividade
física é uma parte do tratamento da obesidade em todos os seus níveis
de comprometimento físico-psiquico-social.
Porém, parte esta importantíssima neste tratamento, porque só com a
dieta temos uma redução do peso total, mas em se tratando da
composição corporal não é tão eficiente na redução do tecido adiposo
como seria aliada a atividade física; que preserva o tecido magro por
uma questão de necessidade de uso, e utiliza mais a gordura como
fonte de substrato energético.
Mas, não só para a redução do tecido adiposo, benefício este obtido em
longo prazo, traz benefícios relacionados a nossa saúde, prevenindo
problemas circulatórios, respiratórios, dermatológicos e ortopédicos
(Santoro, 1996).
Portanto devemos estimular a prática da atividade física para uma
melhor qualidade de vida não só para os obesos como para todas as
pessoas, conscientizando da sua necessidade e direcionando-o a um
trabalho específico a sua condição, para que não tenhamos um
praticante temporário da atividade física e sim um adepto permanente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Paulo, Editora Manole.
Bronstein, M.D. (1996). Exercício Físico e Obesidade. Rev. Soc. Cardiol.
Estado de São Paulo, 6(1), 11-116.
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Dâmaso, Ana R. et al. (1994). Obesidade: subsídio para o
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Educação Física, 8(1), 98-111.
Durant, R.H. et al. (1993). Association among serum lipid and
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Fisberg, M. (1996). Obesidade na infância e adolescência. São Paulo.
Fundação BYK.
Fisberg, M. et al. (1993). Obesidade na infância e adolescência.
Pediatria Moderna. xxix(2), 101-152.
Mcardle, William D. (1992). Fisiologia do Exercício, Energia, Nutrição e
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Nadeau, Marcos et al. (1985). Fisiologia Aplicada na Atividade Física.
São Paulo. Ed. Manole Ltda.
Santoro, J.R. (1996). Obesidade considerações gerais. Pediatria
Moderna, xxxii(11), 42-50.
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Fisberg, 1993, já dizia que as pessoas mantém um estilo de vida
marcado pelo sedentarismo e alimentação inadequada composta por
lanches desequilibrados e grande velocidade nas refeições. Atingindo
também o universo infantil, que cercados pelos jogos eletrônicos e horas
em frente a televisão, levaram-nas a diminuir as atividades de lazer.
Estes são os principais fatores no aumento da proporção de obesos nos
últimos anos ( INAN, 1991 ).
Obesidade não é só um problema estético, e sim as condições que ela
cria para o desenvolvimento de danos para a saúde, como circulatórios,
respiratórios, dermatológicos e ortopédicos ( Santoro, 1996 ).
O balanço energético deve ser equilibrado para que não ocorram
excessos, que seria um consumo de alimentos maior que o gasto
energético e que o corpo acumula e sintetiza em gordura como maneira
de estocar, ou seja, o que definimos como obesidade.
Sabemos que o maior gasto energético do corpo, é o metabolismo basal
( 65% a 75% / dia ), seguido da atividade física ( 15% a 20% / dia ) e
pelo processo digestivo, logo devemos criar condições de controle do
peso para a manutenção e tratamento do mesmo.
Porém, devemos identificar tipos e causas da obesidade, pois distúrbios
hormonais e metabólicos ( Sanos e Mahan, 1994 ) também podem
contribuir para este quadro, e neste caso o tratamento deve ser
diferenciado.
A atividade física é uma grande aliada no combate à obesidade, pois
aumentando o gasto energético e controlando e até diminuindo a
ingestão calórica, caracterizamos um balanço negativo, o que a médio e
longo prazo se obtém bons resultados estéticos.
Mas, antes que se percebam as mudanças estéticas, vários fatores intra
celulares, já favorecem o praticante da atividade física, através de
reações químicas e até psicológicas. Estimulando um melhor
funcionamento dos órgãos e contribuindo para a prevenção de
complicações funcionais na pressão arterial, colesterol, diabetes, etc.
Porém, Nadeau, et al ( 1985 ), afirma que o exercício só terá efeito
sobre os distúrbios relacionados com um desequilíbrio energético
proveniente de inatividade, mas ineficiente no desequilíbrio psicológico
ou de pressões sociais e culturais, que provocam alterações de
comportamento alimentar.
Para ser benéfica na intervenção da obesidade, o tipo de atividade física
deve ser adequado, assim como sua intensidade, freqüência e duração.
Motivo pelo qual deve-se ser cuidadoso, ao elaborar um treino para
crianças e adolescentes obesos, que além das dificuldades trazidas pela
hipoatividade, eles têm:
Maior esforço e trabalho para um dado nível de atividade física;
Menor eficiência mecânica;
Maior gasto energético para um mesmo tipo de esforço;
Diferentes processos metabólicos e hormonais, das crianças e
adolescentes não obesos.
Apesar dessas dificuldades, nesta fase temos grandes transformações
internas devido ao desenvolvimento, o que provoca gastos energéticos
consideráveis, provenientes do metabolismo basal, e também é nesta
fase que adquirimos os hábitos alimentares, o que vão ser decisivos
para o bom ou mau desenvolvimento.
Já na fase adulta, as dificuldades são as mesmas, porém encontramos o
corpo numa fase de equilíbrio metabólico, se não estiver numa
descendente, o que é verificado na velhice. O que diminui nosso gasto
energético basal sensivelmente. Isso pode interferir no balanço
energético, mas a atividade física pode equilibra-lo novamente.
Segundo Nadeau, et al ( 1985 ), a primeira forma de controle do peso
se processa ao nível da ingestão calórica, por meio de um regime
adequado. A atividade física terá, então, a função de auxiliar no controle
do regime, facilitando a regulação do apetite, aumentando
indiretamente o efeito térmico dos alimentos.
Vários fatores devem ser considerados na escolha do tipo, intensidade, e
duração do exercício a ser prescrito a um obeso, sendo contra indicadas
as atividades de alto impacto e uma intensidade muito grande, se deve
dar ênfase às atividades moderadas de longa duração, como as
aeróbias.
Mas, é importante ressaltar que o programa de exercícios deve ser
desenvolvido de acordo com a capacidade individual de desempenho.
Este é um fator determinante para que tenha a adesão tanto da criança
ou adolescente como do adulto. No tratamento das crianças e
adolescentes, a orientação e o envolvimento da família também são
aspectos importantes a serem considerados ( Dâmaso, 1994 ).
Logo, a importância da atividade física no combate à obesidade, além do
gasto energético, por uma questão de necessidade de uso, preservando
a massa magra e mobilizando mais ainda a gordura como substrato
energético.
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