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  Monografia FMU II: Programa de Ginástica Laboral nas Empresas  
  Prof. Adriano Vretaros  

Revista On-Line - Ano 2 / nº 3
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO 1. Definição do Problema a ser Estudado O momento de muitas mudanças e transformações ocorridas no cenário nacional e mundial vem afetando as sociedades, comunidades e classes sociais além das empresas e organizações principalmente dos países tidos como de terceiro mundo. Desde à Revolução Industrial, assistimos a um mundo totalmente voltado a tecnologia industrial, ao aperfeiçoamento das máquinas, a criação dos robôs e a outros avanços que tem transformado muitas economias. O trabalhador também foi vítima destas excedentes e crescentes mudanças, em certo momento foi deixado de lado e trocado por tecnologias que se apresentavam como sendo o diferencial das empresas do mundo moderno. A Gestão da Qualidade Total, o processo de globalização e a competitividade tem “obrigado” as organizações a terem novos pensamentos. Ser competitivo, produzir mais, sobreviver e estar inserido no mercado, tem feito as empresas a assumirem a sua parcela de responsabilidade social, adotando posturas que se preocupem também com a Qualidade de Vida do seu maior patrimônio, seus trabalhadores. Com este pensamento surgiu a Ginástica Laboral ou do trabalho, sendo caracterizada como uma forma de atividade física que tem como proposta incentivar a prática saudável de exercícios físicos de forma regular e diversificada, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores que a praticam. Associando-se Ginástica Laboral à Saúde e estando a mesma ligada ao ambiente e condições de trabalho e ainda ao estilo de vida, observamos que este tipo de investimento tem sido e será uma necessidade e ação primordial das organizações no século XXI. A pergunta feita por Cañete (1996:23) mostra bem a citação acima: “(...) quem você acha que, provavelmente, produzirá mais e melhor: Um indivíduo cansado, desmotivado, fatigado, com dores pelo corpo, estressado, deprimido, com baixa auto-estima e com a sua saúde global comprometida ou aquele indivíduo saudável, equilibrado emocionalmente, satisfeito, feliz e motivado ?” Como podemos notar, este tipo de investimento poderá ser interessante e trazer efetivamente surpreendentes resultados, transformando pessoas, deixando-as mais ativas, saudáveis e produtivas. Tendo em vista a necessidade de se investir na saúde e na qualidade de vida de seus trabalhadores, inúmeras empresas do mundo moderno tem saído à procura por Programas de Ginástica Laboral que possam, adequados a sua realidade contribuir com seus objetivos e anseios. Com a constatação da excessiva procura e pequena oferta de serviços com qualidade dentro desta área de atuação, das poucas bibliografias existentes e da escassez de trabalhos propostos, estaremos apresentando neste estudo, um Programa de Ginástica Laboral que poderá ser adequado à realidade de muitas empresas. Portanto configura-se como problema de investigação nessa pesquisa bibliográfica o seguinte: “Como implantar um Programa de Ginástica Laboral nas Empresas ?” e para tanto apresentaremos todo o passo a passo para que isso ocorra. Objetivos O objetivo do presente estudo é evidenciar como implantar um Programa de Ginástica Laboral nas Empresas e o passo a passo para que o mesmo ocorra. Questões que Orientam o Estudo 3.1. O que é ATIVIDADE FÍSICA, EXERCÍCIO FÍSICO, APTIDÃO FÍSICA E SAÚDE ? 3.2. Quais os benefícios das ATIVIDADES FÍSICAS e sua relação com a QUALIDADE DE VIDA ? 3.3. O que é GINÁSTICA LABORAL ? 3.4. Quais os benefícios da GINÁSTICA LABORAL ? 3.5. O que é ERGONOMIA ? 3.6. Como implantar a GINÁSTICA LABORAL ? Justificativas Apresentar um Programa de Ginástica Laboral com uma metodologia personalizada para as Empresas que pretendem investir na Saúde e na Qualidade de vida dos seus trabalhadores; Disponibilizar subsídios técnico e científicos aos profissionais da área de Educação Física que pretendem implantar Programas de Ginástica Laboral personalizados e com qualidade nas Empresas; Estender a área de atuação, abrindo mais uma oportunidade de trabalho aos profissionais de Educação Física no mercado existente. CAPÍTULO II: REVISÃO DE LITERATURA 1. Atividade Física, Exercício Físico, Aptidão e Saúde Segundo Pogere (1998:63): “A prática de atividades ou exercícios físicos vem sendo utilizada para atingir objetivos como lazer, estética corporal, profilaxia (prevenção), melhoria da aptidão geral e por fins competitivos”.: Para tanto, iremos diferenciar atividade física de exercício físico para melhor entendermos suas aplicações.: Pogere (1998:63), baseado em Caspersen citado por Guedes & Guedes (1995), citou que:: “(...) Atividade física é qualquer movimento corporal produzido pelos músculos, resultando em um gasto energético superior ao de repouso e exercício físico é toda atividade planejada, estruturada e repetitiva que tem por objetivo a melhoria e a manutenção de um ou mais componentes da aptidão física”.: Segundo a Organização Mundial de Saúde (WHO,1978), citada por Guedes, reafirmado por Vidal (1997:26), aptidão física deve ser entendida como:: “(...) a capacidade de realizar trabalho muscular de maneira satisfatória”.: Afirma Guedes citado por Vidal (1997:27) a seguinte concepção:: “(...) estar apto fisicamente significa o indivíduo apresentar condições que lhe permitam bom desempenho motor quando submetido a situações que envolvam esforços físicos”.: Conforme este pressuposto e caracterizando uma forte tendência conceitual, Guedes cita Bouchard et alii (1990), reafirmado por Vidal (1997:27), definindo aptidão física como: “(...) um estado dinâmico de energia e vitalidade que permita a cada um não apenas a realização das tarefas do cotidiano, as ocupações ativas das horas de lazer e enfrentar emergências imprevistas sem fadiga excessiva, mas também evitar o aparecimento das disfunções hipocinéticas, enquanto funcionando no pico da capacidade intelectual e sentindo uma alegria de viver”.: Em síntese, Guedes citado por Vidal (1997:27), sugere que: “(...) os índices de aptidão física seriam moduladores dos atributos voltados à capacidade de realizar esforços físicos que possam garantir a sobrevivência das pessoas em boas condições orgânicas no meio ambiente em que vivem”.: Guedes citado por Vidal (1997:27), afirma que:: “Considerando a multidimensionalidade que envolve a atividade física em relação aos esforços físicos, os componentes da aptidão física segundo Guedes necessariamente deverão ser considerados em duas vertentes: aqueles voltados à aptidão física relacionada à saúde e aqueles que se identificam com a aptidão física relacionada ao desempenho atlético. Uma clara distinção entre as características dos componentes direcionados à aptidão física relacionada à saúde e ao desempenho atlético poderá auxiliar no estabelecimento de metas e estratégias a serem adotadas nos programas de exercícios físicos que procuram atender à promoção da saúde”.: Baseado nas citações à cima, ao falarmos em atividade física, exercício físico e aptidão física, estamos falando também em saúde, e para tanto, a OMS (Organização Mundial de Saúde) citada por Giam e Teh (1989:08) define Saúde como sendo:: “(...) o estado de completo bem-estar físico, mental e social”.: Pogere (1998:63) baseada em Bouchard citado por Guedes & Guedes (1995), definiu saúde, como segue:: “(...) saúde em seu conceito moderno dividindo-a em dois pólos, um positivo e outro negativo. O positivo que nos interessará no momento é definido como a capacidade em apreciar a vida e resistir aos desafios do cotidiano e o negativo está associado a morbidade e mortalidade”.: As citações acima estão relacionadas com a Qualidade de vida a qual continuaremos a abordar com o intuito de auxiliar na orientação deste estudo. : 2. Os Benefícios das Atividade Físicas e sua Relação com a Qualidade de Vida Tem sido estudado por Médicos, Fisioterapeutas, Psicólogos, profissionais de Educação Física e de demais áreas correlatas as mesmas, as questões relacionadas aos benefícios das atividades físicas e sua relação com a Qualidade de Vida. Cañete (1996:79) descreveu os resultados obtidos pelas pesquisas realizadas nos EUA, mostrando alguns dos benefícios das atividades físicas aos seus praticantes: “(...) redução de ansiedade; melhoria do bem-estar e do humor; ânimo e disposição; redução da depressão, de estresse e de estados emocionais negativos; aumento da capacidade imaginativa ou criatividade; redução da tensão; melhoria da auto-estima e do autoconceito; facilitação do funcionamento cognitivo e melhoria da performance no trabalho”. Estes são alguns resultados que muito tem interessado a ciência, aos profissionais de saúde e principalmente aos adeptos e praticantes dessas atividades. Trataremos a Ginástica Laboral como sendo uma das formas de atividade física que pode ser realizada pelos trabalhadores das empresas em seus próprios locais de trabalho. Como já foi citado, muito tem se falado a respeito da Ginástica Laboral e da sua relação com a Qualidade de Vida. Esta associação tem partido das próprias empresas, que enxergam neste tipo de atividade uma forma de melhorar de uma maneira geral a qualidade de vida de seus funcionários. Para tanto, vamos procurar esclarecer o significado de qualidade de vida no trabalho para que possamos fazer tal tipo de associação. Conforme Fernandes (1994) citado por Cañete (1996:78): “Qualidade de vida no trabalho é a gestão dinâmica e contingencial dos fatores físicos, sócio-psicológicos e tecnológicos que renovam a cultura e determinam o clima organizacional, refletindo-se no bem estar do trabalhador e na produtividade das empresas”(in Radici). Cañete (1996:78) citou ainda Walton (1973) referindo que: “a expressão Qualidade de Vida tem sido usada com freqüência para descrever certos valores ambientais e humanos, negligenciados pelas sociedades industriais em favor do avanço tecnológico, da produtividade e do crescimento econômico” (In Rodrigues, p.81). Cañete (1996:78) cita que “(...) entre as várias categorias conceituais para a pesquisa sobre Qualidade de Vida, Walton destacou a segunda, denominada Condições de Segurança e Saúde do Trabalho, em que ele reforça a necessidade de horários razoáveis reforçados por um período normal de trabalho padronizado; condições físicas de trabalho que reduzam ao mínimo o risco de doenças e danos, entre outros. Cabe ainda destacar a preocupação com o enriquecimento dos cargos e a autonomia; com a integração social do trabalhador, a oportunidade de lazer e de tempo com a família, a educação e o desenvolvimento; a remuneração adequada e justa e a preocupação com a valorização do trabalho e o incremento da auto-estima do trabalhador”. Os fatores físicos, sócio-psicológicos bem como o clima organizacional foram em síntese os principais sinônimos utilizados para definir Qualidade de Vida no Trabalho, citados acima pelos respectivos autores. Os resultados das pesquisas realizadas nos EUA puderam paralelamente mostrar os efeitos abrangentes das atividades físicas, não atingindo somente o físico mas sim o ser humano em sua totalidade, física, mental e espiritual. À partir de então, fazendo-se uma analogia, verificamos que a Ginástica Laboral poderá e muito contribuir com a Qualidade de Vida do Trabalhador, uma vez que é precursora de diversos benefícios voltados aos fatores e valores abrangentes citados. 3. Ginástica Laboral Segundo o Serviço Social da Indústria - SESI (1996:05), Ginástica Laboral é: “a prática voluntária de atividades físicas realizadas pelos trabalhadores coletivamente, dentro do próprio local de trabalho, durante sua jornada diária”. A Revista CIPA (1999, nº232:30 a 42), apresenta uma matéria sobre “Ginástica Laboral, caminho para uma vida mais saudável no trabalho“, onde em síntese observa-se que a finalidade dos Programas de Ginástica Laboral é basicamente a valorização da prática das atividades físicas, como instrumento de promoção de saúde e prevenção de lesões e acidentes, objetivando ainda na melhoria da qualidade de vida dos homens que a praticam. A Ginástica possui várias classificações quanto a seu fim, as quais estaremos apresentando a seguir. Cañete (1996:109) cita Targa (1973), classificando a Ginástica em Compensatória, Preparatória ou Pré Aplicada ou ainda em Corretiva. 3.1. Ginástica Compensatória A Ginástica Compensatória segundo Targa citado por Cañete (1996:109): “objetiva impedir que se instalem vários vícios de postura em face da posição em que o indivíduo é obrigado a permanecer durante suas atividades habituais. Usa exercícios que proporcionam atividade às sinergias musculares pouco solicitadas e relaxamento àquelas que trabalham demasiadamente. O emprego dos exercícios de relaxamento visa combater o excesso de tensão”. Dias (1994) citado por Cañete (1996:110), afirma que: “Ginástica Laboral Compensatória é uma atividade física realizada durante o expediente de trabalho, agindo de forma terapêutica, ou seja, visando compensar os músculos que foram trabalhados em excesso durante suas atividades diárias, proporcionando um bem-estar físico, mental e social ao funcionário”. 3.2. Ginástica Preparatória ou Pré Aplicada Dias (1994) citado ainda por Cañete (1996:111) afirma que: “Ginástica Preparatória ou Pré Aplicada é a atividade física realizada antes de iniciar o trabalho, atuando de forma preventiva, ou seja, aquecendo e despertando o funcionário para o trabalho, prevenindo acidentes, distensões musculares e doenças ocupacionais”. Cañete (1996:110), afirma que: “Ginástica Preparatória ou Pré Aplicada é um conjunto de exercícios que prepara o indivíduo conforme suas necessidades para o trabalho de velocidade, força ou resistência, aperfeiçoando as coordenações e sinergias, das quais poderá tirar proveito em sua atividade ou desporto”. 3.3. Ginástica Corretiva Segundo Targa citado por Cañete (1996:110): “Ginástica Corretiva tem por finalidade restabelecer o antagonismo muscular utilizando exercícios específicos que visam encurtar os músculos que estão alongados ou alongar os que estão encurtados. Destina-se aos indivíduos portadores de deficiências morfológicas não patológicas, sendo aplicada a um grupo reduzido de pessoas (10 a 12) que apresentam a mesma característica postural, fora da sessão comum.” 4. Os Benefícios da Ginástica Laboral Segundo o SESI (1996:05): “A natureza do trabalho nos dias de hoje proporciona meios de conforto e facilidades na execução de funções, favorecendo uma vida sedentária e, muitas vezes, provocando posturas inadequadas e movimentos repetitivos.” Sabendo-se que o homem passa a maior parte de sua vida envolvido com o seu trabalho, faz-se necessário no entanto, o desenvolvimento de ações que visam diminuir os efeitos causados pelo desempenho inadequado das suas atividades laborais. Segundo o SESI (1996:05): “Por meio de exercícios que podem apresentar características preparatórias, compensatórias e relaxantes já citados anteriormente, a Ginástica Laboral favorece uma sintonia maior com a atividade funcional no ambiente de trabalho, predispondo o praticante a uma atuação participativa, consciente e integrada. Contribui sensivelmente para a promoção do bem estar do trabalhador, refletindo na melhoria das relações interpessoais.” Conforme Nascimento e Moraes (2000:154), a prática de exercícios laborativos durante a jornada de trabalho traz uma série de benefícios para quem os pratica. Dentre os quais elas citam: “(...) a redução dos níveis de ansiedade e stress, aumento da flexibilidade, redução das tensões musculares, ativação da circulação, favorecimento da conscientização corporal, diminuição do risco de DORT (Doenças Ostemusculares Relativas ao Trabalho) e o auxilio no desempenho do trabalho.” A Revista CIPA (1999, nº232:33), apresenta empresas que se especializaram e oferecem Programas de Ginástica Laboral e que já obtiveram uma série de benefícios com este tipo de atividade nas empresas as quais aplicam o Programa. Dentre estes benefícios, o SESI (Serviço Social da Indústria) cita: “(...) a liberação de movimentos bloqueados por tensões emocionais e sensação de um corpo mais relaxado; redução das tensões musculares e da dor; melhora na coordenação motora, reduzindo o desgaste de energia e conseqüentes acidentes de trabalho; aumento da flexibilidade do corpo, devido aos exercícios de alongamento; ativação da circulação; prevenção de lesões nos músculos, ligamentos e tendões; preparação para atividades musculares no trabalho e no esporte; desenvolvimento da consciência corporal; bem-estar físico e mental; diminuição de queixas, afastamentos médicos, acidentes e lesões; e aumento da produtividade e disposição para o trabalho”. Outros importantes benefícios trazidos pela prática da ginástica são o equilíbrio biopsicológico, estimulando a melhoria do estado pessoal; a melhoria da resistência física, o seu fator preventivo à possíveis doenças ocupacionais além de ser um instrumento facilitador das relações humanas no trabalho, contribuindo de uma maneira geral com a promoção da saúde e da qualidade de vida do trabalhador. 5. Ergonomia Nascimento e Moraes (2000:15), citam que: “A palavra ergonomia advém de composição de duas palavras gregas: ERGOS, que significa trabalho, e NOMOS, que significa, normas, leis e regras”. Segundo Couto (1995:11) “Ergonomia é um conjunto de ciências e tecnologias que procura a adaptação confortável e produtiva entre o ser humano e seu trabalho, basicamente procurando adaptar as condições de trabalho às características do ser humano”. Nascimento e Moraes (2000:15), citam Ferreira que define ergonomia como sendo: “Conjunto de estudos que visa a organização metódica do trabalho, em função do fim proposto e das relações entre o homem e a máquina”. Dul e Weerdmeester (1995:13), enfocam que: “(...) a ergonomia se aplica ao projeto de máquinas, equipamentos, sistemas e tarefas, com o objetivo de melhorar a segurança, saúde, conforto e eficiência no trabalho”. Preconizam ainda, que a ergonomia é uma adequação entre as condições de insegurança, insalubridade, desconforto e ineficiência com às capacidades e limitações físicas e psíquicas do homem. Conforme Dul e Weerdmeester (1995:14): “A ergonomia estuda vários aspectos: a postura e os movimentos corporais (sentado, em pé, empurrando, puxando e levantando pesos), fatores ambientais (ruídos, vibrações, iluminação, clima, agentes químicos), informação (informações captadas pela visão, audição e outros sentidos), controles, relações entre mostradores e controles, bem como cargos e tarefas (tarefas adequadas, cargos interessantes). A conjugação adequada desses fatores permite projetar ambientes seguros, saudáveis, confortáveis e eficientes tanto no trabalho quanto na vida cotidiana”. Entendemos, que a ergonomia será importantíssima dentro do processo de criação de qualquer Programa de Ginástica Laboral fazendo parte de um dos passos que estaremos evidenciando mais adiante e que se refere aos diagnósticos que serão realizados nos diversos setores de trabalho da empresa. 6. Implantação da Ginástica Laboral: O Passo a Passo para se Obter Sucesso 6.1. Apresentação do Programa na Empresa O primeiro passo na implantação de um Programa de Ginástica Laboral será, segundo Nascimento e Moraes (2000:69), a definição a quem se dirigir em uma Empresa para apresentar um Programa desta natureza ? Citaremos neste primeiro passo, dois caminhos possíveis para este tipo de ação. Um deles será entrar em contato com o Serviço de Saúde Ocupacional da Empresa e o outro será dirigir-se direto à administração do Departamento de Recursos Humano (RH) da Empresa. Apesar do Serviço de Saúde Ocupacional ser o responsável pelas atividades relacionadas com a saúde dentro da empresa, este poderá encontrar algum obstáculo, pois terá que passar de qualquer maneira a proposta ao RH, para que o mesmo possa avaliá-la e autorizá-la. Se pensarmos no conhecimento técnico e específico, os profissionais da área de Saúde Ocupacional melhor entenderão a proposta e a importância deste tipo de Programa para a empresa. Se optarmos por esta maneira, teremos então que, primeiramente convencer a equipe de Saúde Ocupacional para depois vender o produto ao Departamento de Recursos Humanos. Caso a opção seja por apresentar o produto diretamente ao Departamento de Recursos Humanos da empresa, Nascimento e Moraes (2000: p.69), citam que é necessário expor a proposta de forma prática e eficaz, além de não esquecer de abordar a relação custo x benefício do produto em questão. Esta relação é fundamental pois estará sendo demonstrado os níveis de investimentos que serão necessários para a implantação deste tipo de Programa. Nascimento e Moraes (2000:70), afirmam que: "(...) as empresas vem enfatizando um novo conceito de administração inteligente, onde pessoas saudáveis representam negócios saudáveis, com melhores lucros e maiores retornos de investimento”. O grande capital de uma empresa conforme Nascimento e Moraes (2000:70): “é representado por pessoas capazes, aptas, sadias, criativas, íntegras e motivadas, portanto se apresentarmos um programa que atenda a estas expectativas, o mesmo terá maior receptividade, podendo ser aceito pela administração superior”. Um bom produto deverá ter alguns materiais promocionais que como estratégia poderão ser utilizados no momento de sua apresentação à empresa. Um vídeo institucional referente ao produto, folders e cartazes bem como camisetas, bonés, sacolas, canetas, entre outros são exemplos de materiais que podem ser confeccionados para dar suporte e auxiliar na “venda” do produto. Nesta fase é de fundamental importância definir a proposta de trabalho que será utilizada para a empresa. O Programa terá um formato personalizado respeitando as especifidades e realidades existentes em cada empresa ou organização. Após a tomada de decisão de implantar o Programa por parte da empresa, é preciso segundo Cañete (1996:127), assinalar que o sucesso da implantação terá como base o comprometimento da cúpula da empresa, implicando muitas vezes e se necessário na mudança ou transformação da cultura organizacional, ou seja alguns valores, crenças, padrões comportamentais entre outros, poderão ser alterados e transformados, podendo causar até em alguns momentos uma resistência natural por parte dos indivíduos e grupos a qual precisará ser contornada com bastante sensibilidade. Será necessário portanto, criar situações que contribuam e facilitem para o processo de implantação e desenvolvimento do Programa, para que ele possa ser bem sucedido. 6.2. Levantamento de Diagnósticos Após apresentação do Programa, iremos para o segundo passo, que será realizar o diagnóstico dos setores de trabalho da empresa. Segundo Ferreira (1998:220), diagnóstico é: “O conjunto dos dados que se baseia uma determinação; ou ainda conhecimento ou determinação de uma doença pelo(s) sintoma(s)”. Será realizado um levantamento (coleta) de informações a fim de se obter dados das condições Laborais (trabalho) dos diversos setores de trabalho da empresa. Com estas informações em mãos, as mesmas receberão uma análise pormenorizada e personalizada, permitindo que os profissionais que forem atuar implantando a Ginástica Laboral tenham bons conhecimentos do funcionamento da respectiva empresa. Cañete (1996:128) sinaliza a necessidade neste momento de se escolher um Grupo Piloto ao qual se iniciará a aplicação da Ginástica, e para tanto o diagnóstico (informações coletadas) deste grupo serão analisadas para permitir a criação da proposta de trabalho a ser realizado. Um dos critérios para a escolha do Grupo Piloto poderá ser a incidência de problemas como por exemplo: dores, lombalgias, tendinites, estresse entre outros. Conforme Cañete (1996:128), será necessário ainda, definir o perfil do respectivo Grupo Piloto escolhido, realizando para isso um estudo detalhado que deverá incluir os seguintes aspectos: Características e condições do setor e do posto de trabalho, incluindo uma Avaliação Ergonômica; Avaliação Postural das pessoas; Função desempenhada pelas pessoas; Ritmo de trabalho; Turnos de trabalho; Jornadas de trabalho; A existência de rotatividade no setor de trabalho; A existência de rodízio de funções; Riscos físicos, químicos e biológicos; Ambiente de trabalho e “clima” predominante (relacionamento interpessoal, comunicação, pressões, entre outros); Faixa etária dos profissionais deste grupo; Sexo dos integrantes deste grupo; A existência de E.P.I. (Equipamentos de Proteção Individual); Temos que lembrar que um trabalho bem sucedido e com resultados positivos neste primeiro grupo, auxiliará e servirá como amostra e experiência para futuras implantações em outros grupos da própria empresa. Destacamos como fundamental e até como um pré requisito, que os profissionais de Educação Física que desenvolvem e acompanham o dia a dia da ginástica nos diversos grupos de trabalho, sejam e estejam treinados e portanto habilitados para trabalhar com o Programa. É importante que haja o envolvimento dos funcionários do Departamento de Recursos Humanos, da Saúde Ocupacional e Medicina do Trabalho, de Fisioterapeutas, além dos profissionais da área de Educação Física contratados para aplicarem as atividades na empresa. Conforme o SESI (1996:08), é fundamental que as informações a serem levantadas tenham a participação da Equipe multidisciplinar, pois sem esta participação ou envolvimento poderão existir dificuldades e insucessos em parte ou em todo do trabalho proposto. 6.3. Divulgação do Programa na Empresa Neste momento será necessário apresentar o Programa a todos os funcionários da empresa. É fundamental que todos os níveis hierárquicos da organização conheçam o Programa. Este se configura no terceiro passo a ser dado dentro do processo de implantação do Programa de Ginástica Laboral. Cañete (1996:129) salientou que este é um momento decisivo, pois será necessário sensibilizar e conscientizar as pessoas sobre O que é a Ginástica Laboral ? O que se pretende com ela ? e Quais os seus benefícios para trabalhadores e Empresas ? Ela indica como estratégia a realização de palestras, apresentação de vídeos bem como a diponibilização de materiais informativos sobre o Programa. Segundo o SESI (1996:07), a linguagem utilizada nestas palestras deverá ser adequada a cada grupo interlocutor e o apresentador destas palestras deverá ainda utilizar estratégias compatíveis com o seu respectivo público-alvo. Neste momento despertaremos o interesse dos funcionários para o Programa e na seqüência convidaremos os mesmos para participar. Cañete (1996:129) acena para: “(...) o primeiro escalão da empresa dê o exemplo e esteja à frente de todas as ações e iniciativas, mostrando o seu aval e legitimando o processo”. Dar o exemplo poderá significar o fator determinante para o sucesso do Programa. Outro momento importante segundo Cañete (1996), será permitir que o funcionário participe de forma voluntária, e jamais que seja coagido para fazer parte deste Programa, pois se fizer contra a sua própria vontade o resultado poderá ser muito ruim. 6.4. Criação de um Plano de Implantação O Plano de Implantação será criado neste momento para direcionar todas as ações da atividade propriamente dita. Utilizando-se do diagnóstico anteriormente realizado nos grupos de trabalho, verificaremos o espaço existente, o tempo e dias da semana disponíveis para a realização da Ginástica, a possibilidade ou não da utilização de música, além de outras informações para finalmente montarmos de forma personalizada todo o Plano a ser desenvolvido no determinado grupo de trabalho. Este plano será apresentado para a direção da Empresa que dará a sua anuência, legitimando o mesmo antes de ser aplicado. 6.5. Criação das Séries de Exercícios Laborais É importante esclarecer que não é objetivo deste estudo oferecer fórmulas prontas ou sugerir séries de exercícios predeterminadas. Estaremos discutindo e refletindo sobre os princípios e características que permitam à elaboração de uma série de exercícios, dando a liberdade aos profissionais da área de educação física para a escolha dos exercícios que melhor representarem as necessidades dos diversos grupos de trabalho beneficiados das empresas. Os exercícios Laborais são segundo Nascimento e Moraes (2000:153), variados e elaborados distintamente para trabalhadores de atividades profissionais diversas. Deverão ser criados e terão um melhor aproveitamento por parte de quem os pratica se tiverem fundamentados nos diagnósticos das condições laborais, avaliações ergonômicas e posturais solicitadas anteriormente. Com isso podemos dizer que serão criadas séries de exercícios de forma personalizada para cada setor de trabalho. Estas séries devem ser motivantes, atrativas e interessantes para quem as pratica, pois caso contrário não garantirá a participação do grupo. O SESI (1996:11), adverte que a elaboração das séries deverá ser realizada por profissional(is) habilitado(s). Devem constituir-se de: Aquecimento articular e alongamentos; exercícios que desenvolvam força, flexibilidade, coordenação e resistência; exercícios respiratórios; relaxamento e deslocamentos, quando o espaço permitir; entre outros. As séries de exercícios deverão ter sua duração de 08 a 12 minutos e executadas diariamente em cada grupo de trabalho, e para não serem cansativas e repetitivas deverão ser trocadas no máximo de dez em dez dias, respeitando-se o ritmo do grupo e sendo alterados além dos exercícios propostos também para quais grupos musculares se destinam. Segundo o SESI (1996:13): “A execução da ginástica constitui-se em um momento de congraçamento entre os “companheiros de trabalho”, não devendo limitar-se à mera rotina mecânica”. As atividades podem ser realizadas em círculos e semicírculos, formatos estes bastante sugestivos para quem pratica, além de possibilitarem a integração dos participantes. Aos poucos sugere-se o trabalho realizado em duplas e ou trios, visando à integração do grupo. O SESI (1996:13) sugere ainda a utilização de música, que favorece a atmosfera de concentração e introspecção, principalmente em atividades como uma sessão de ginástica, permitindo ao praticante melhor desligamento das tarefas cotidianas. A música deverá acompanhar o tipo de ginástica, respeitando o ritmo desejado. 6.6. Implantação do Programa A Implantação do Programa acontecerá como já foi citado anteriormente, no Grupo Piloto coordenado por um profissional de Educação Física treinado e habilitado para tal. Este profissional iniciará a atividade, demonstrando a forma correta de se realizar os exercícios e os trabalhadores por sua vez participarão, repetindo os gestos que estarão sendo ensinados. É importante entender que muitos trabalhadores poderão encontrar algumas dificuldades na realização dos exercícios, daí entendemos ser necessário a intervenção do Professor como forma de auxílio para que o aluno não se sinta inferiorizado ou desmotivado com este tipo de situação. Após alguns dias, semanas e ou meses o aluno irá se adaptar a atividade e normalmente realizará os exercícios propostos. Passados de 3 ou 4 meses, Cañete (1996:131) sugere a realização de uma Avaliação da experiência e a verificação dos resultados obtidos pela empresa com a aplicação da Ginástica naquele determinado grupo piloto. Se houver necessidade, poderão acontecer algumas mudanças e ou ajustes com vistas a continuidade de todo o processo. Cañete (1996:131) cita como fundamental que os profissionais da empresa (RH, Saúde e Segurança, Gerência de área e profissional de Educação Física) envolvidos no Programa, também participem do processo de Avaliação. É importante que haja uma discussão participativa de forma sadia a respeito da ginástica aplicada até aquele determinado momento. Se a experiência da ginástica neste grupo piloto for positiva, bem como se os seus resultados demonstrarem o mesmo, teremos uma facilidade de apresentar uma nova proposta para darmos continuidade no processo de expansão do Programa para outras áreas da empresa. Após os 3 meses de Programa, já é possível os trabalhadores deste grupo piloto perceberem os benefícios dos exercícios físicos em si mesmos, nos colegas e no próprio grupo de trabalho, e poderão servir agora como divulgadores e incentivadores da proposta para os demais colegas da empresa. 6.7. Desenvolvimento e Acompanhamento do Programa Diante da constatação por parte da diretoria da empresa do sucesso na implantação da Ginástica Laboral no grupo piloto, o Programa será ampliado e atenderá agora outros setores da empresa. Será preciso realizar o diagnóstico nos novos setores da empresa que aderirem ao Programa e com isso outro(s) plano(s) de implantação serão criados onde novas turmas ou grupos começarão a praticar e desenvolver a Ginástica Laboral. Esses grupos também receberão uma avaliação e estarão sendo monitorados para que obtenham sucesso em seu dia a dia. Cañete (1996:133) afirma que: “(...) a Ginástica Laboral foi interiorizada pelas pessoas e incorporada pela cultura da organização, tornando-se um hábito saudável e parte da vida laboral. Neste estágio, certamente, tal conquista será fortemente defendida por todos”. 6.8. Avaliação do Programa A Avaliação do Programa é fundamental, para analisarmos o trabalho realizado. Uma avaliação quantitativa e qualitativa da aplicação da Ginástica nos diversos grupos de trabalho mensurará se os objetivos traçados foram alcançados. Poderemos citar alguns dos itens a serem medidos de forma quantitativa, como segue: Índice de acidentes de trabalho com e sem perda de tempo; Índice de afastamento por doenças ocupacionais; Índice de afastamento por doenças clínicas; Índice de absenteísmo; Índice de sedentarismo; Índice de alcoolismo; Índice de tabagismo; Índice de hipertensos; Índice de produtividade; Outros Podemos avaliar qualitativamente, mensurando: Satisfação quanto aos exercícios e séries propostas ; Satisfação quanto ao(s) profissional(is) que aplica(m) a Ginástica Laboral; Satisfação quanto a diminuição de queixas, dores e enfermidades; Satisfação quanto a continuidade do Programa; Satisfação quanto ao Programa de Ginástica Laboral como um todo; Outros Os dados quantitativos podem ser mensurados no diagnóstico e nas avaliações realizadas mensalmente e bimestralmente. Já os dados qualitativos serão copilados e analisados após o início das atividades de Ginástica Laboral (na primeira avaliação mensal do Programa) e assim sucessivamente. É importantíssimo apresentar os relatórios e ou gráficos para a Diretoria da empresa para que a mesma tenha parâmetros dos resultados alcançados com a implantação da Ginástica Laboral e continue por sua vez legitimando o Programa na própria empresa. CAPÍTULO III: CONCLUSÃO Os Programas de Ginástica Laboral tem cada vez mais conquistado espaço dentre as muitas empresas que entenderam a necessidade e importância deste tipo de ação no dia a dia de suas produções e principalmente de seus funcionários. Sabemos que muitas empresas pensam ainda em adotar a Ginástica Laboral como forma única e exclusiva de aquecer e “lubrificar” o seu trabalhador, visão esta de um “homem-máquina”, que tem como objetivo o ganho final de produtividade e lucro. Entendemos no entanto, que os resultados quantitativos e qualitativos obtidos com a Ginástica laboral, poderão auxiliar nas mudanças e até quebras de paradigmas, indo muito mais adiante, mostrando e conscientizando os administradores que a utilização de forma saudável deste tipo de atividade proporcionará melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e consequentemente benefícios relacionados à produtividade. É necessário frisar que o Programa de Ginástica Laboral deve ser planejado seguindo uma metodologia para a sua aplicação; que vai desde a venda e implantação do produto, passando pela sua aplicação e desenvolvimento, até os processos finais de avaliação. Todos os passos deverão acontecer de forma personalizada, respeitando a individualidade dos diversos grupos de trabalhos, das pessoas que a eles pertencerem, bem como de suas empresas. Para tanto, somos favoráveis que estas atividades sejam realizadas por profissionais da área de Educação Física com conhecimentos técnicos suficientes e que entendam que estas iniciativas estão voltadas para a saúde e principalmente para a qualidade de vida de seus praticantes. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Ministério da Saúde / Secretaria Nacional de Assistência à Saúde. Saúde e Exercício Físico: Uma Atividade Empresarial. Brasília, 1991. CAÑETE, Ingrid. Humanização: Desafio da Empresa Moderna. Porto Alegre, Foco Editorial, 1996. COUTO, Hudson de Araújo. Ergonomia Aplicada ao Trabalho. O Manual Técnico da Máquina Humana - Volumes I e II. Belo Horizonte, Ergo Editora Ltda, 1995. DIAS, Maria de Fátima Michielin. Ginástica Laboral - empresas gaúchas tem bons resultados com ginástica antes do trabalho. Revista Proteção, nº 29, Rio Grande do Sul,1994. DUL, Jan e Weerdmeester, Bernard. Ergonomia Prática. São Paulo, Editora Edgard Blucher Ltda,1995. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário. Editora Nova Fronteira S/A,1998. GIAM, C.K. e Teh, K.C.. Medicina Esportiva, Exercícios para Aptidão Física. Um Guia para todos. São Paulo, Editora Santos, 1989. NASCIMENTO, Nivalda Marques do e Moraes, Roberta de Azevedo Sanches. Fisioterapia nas Empresas: Saúde X Trabalho. Rio de Janeiro, Taba Cultural, 2000. POGERE, Elisabete. Ginástica Aeróbica e Saúde. Fisiologia e Metodologia Aplicada. Primeira Edição. Francisco Beltrão, Editora Jornal de Beltrão S/A, 1998. RADICI, Carlos. Projeto de Implantação de Ginástica Laboral Compensatória na empresa DHB-Componentes Automotivos S.A. – Curso de Graduação em Administração, UFRGS (Trabalho de Conclusão). Porto Alegre,1994. REVISTA CIPA (Caderno Informativo de Prevenção de Acidentes). Benefícios da Ginástica Laboral. São Paulo, Ano XX, nº 232, 1999. RODRIGUES, Marcus Vinicius Carvalho. Qualidade de Vida no Trabalho. Petrópolis, Editora Vozes, 1994. SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA (SESI/DN). 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