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EFEITOS DO TREINAMENTO DE FORÇA SOBRE O DESEMPENHO DE RESISTÊNCIA - Artigo de Revisão
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Prof. Esp. Rommel da Silva Leite / Prof. Ms. Pedro Ivo Cardoso Cossenza / Prof. Ms. Roberto Simão |
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| Revista On-Line
- Ano 4 / nº 7 |
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Artigo de Revisão
EFEITOS DO TREINAMENTO DE FORÇA
SOBRE O DESEMPENHO DE RESISTÊNCIA
Prof. Esp. Rommel da Silva Leite1
Prof. Ms. Pedro Ivo Cardoso Cossenza1,3
Prof. Ms. Roberto Simão1,2,3
1. Programa de Pós-Graduação Lato-Sensu em Musculação e Treina-
mento de Força.
Universidade Gama Filho (Rio de Janeiro – RJ).
2. Departamento de Ciências da Saúde – Universidade Católica de
Petrópolis
(UCP – RJ)
3. Universidade Gama Filho (CEPAC)
RESUMO
A Força Muscular pode ser definida como a quantidade máxima de força que
um músculo ou grupo muscular pode gerar em um padrão específico de movi-
mento. Ela é considerada uma capacidade física importante para o condi-
cionamento físico não só para atletas como também para indivíduos inte-
ressados em aumentar a sua aptidão física. O treinamento de força gera
adaptações fisiológicas distintas das do treinamento de resistência,
e essa distinção gerou um receio por parte dos atletas de resistência
em utilizar os exercícios de força como parte integrante de seu treina-
mento. O objetivo do presente artigo é fazer uma revisão de literatura a
respeito da influência do treinamento de força no desempenho de resis-
tência. Muitos estudos têm demonstrado que o treinamento de força não
prejudica o desempenho de resistência e que em alguns casos pode até
aumentar, pois este tipo de treinamento, apesar de gerar pouco ou
nenhum aumento no consumo máximo de oxigênio, aumenta a potência anaeró-
bica, melhora a economia de movimento e aumenta também o tempo até a
exaustão de exercícios de corrida, esqui e ciclismo. Muitos autores
sugerem que o treinamento de força muscular deve ser utilizado como
complemento importante ao programa de exercícios de atletas que prati-
cam modalidades de resistência.
Palavras Chaves: Treinamento de Força. Resistência. Desempenho.
ABSTRACT
The muscular force can be defined as the maximum amount of force that
a muscle or muscle group can generate in a specific of movement. It is
considered an important physical capacity for the physical conditioning
not only for athlete as also for sedentary individuals. The strength
training generates distinct physiological adaptations of the endurance
training, and this distinction generated a distrust on the part of the
athletes of resistance in using the force exercises as integrant part of
its training. The objective of the present article is to make a revision
of literature regarding the influence of the strength training in the
endurance performance. Many studies have demonstrated that the strength
training does not harm the endurance performance and that in some cases
can until increasing, therefore this type of training, although to gene-
rate little or no increase in the maximum oxygen uptake, increases
anaerobic power, improves the movement economy and also increases the
time to exhaustion of exercises of race, ski and cycling. Many authors
suggest that the training of muscle force must be used as important
complement to the program of exercises of athletes who practice endu-
rance modalities.
KEY WORDS: Strength Training. Endurance. Performance.
INTRODUÇÃO
A força muscular pode ser definida como a quantidade máxima de força que
um músculo ou grupo muscular pode gerar em um padrão específico de movi-
mento e é considerada uma capacidade física importante para o condicio-
namento físico não só para atletas como também para indivíduos não
atletas1. De acordo com Fleck e Kraemer2, o termo treinamento de força
tem sido usado para descrever um tipo de exercício que requer que os
músculos se movam (ou tentem se mover) contra uma determinada resis-
tência, sendo que esta é normalmente representada por algum tipo de
equipamento, seja em forma de máquinas ou pesos livres. Outros tipos
de exercícios como corridas em aclive e pliometria também são conside-
rados como treinamento de força.
Estudos demonstraram que o treinamento de força induz a hipertrofia
das fibras do tipo I e II, gera pouco ou nenhum aumento das ativida-
des enzimáticas associadas à fonte de energia ATP- CP e fonte de
energia glicólise anaeróbia2. Parece que as alterações nas ativi-
dades enzimáticas dependem do tipo de protocolo de treinamento
empregado. Entretanto, no que se refere à densidade da mitocôndria e
capilar, o treinamento de força parece diminuir ou não causar altera-
ção dependendo do protocolo de treinamento utilizado3. Estas adaptações
podem levar a uma atenuação da capacidade oxidativa dos músculos. Sendo
assim, após o resultado destes estudos muitos atletas de resistência
como corredores de longa e curta distância e triatletas, passaram a
não utilizar o treinamento de força muscular temendo comprometer seu
desempenho de resistência2.
Alguns estudos sobre treinamento simultâneo de força e resistência têm
demonstrado que o treinamento de força muscular não prejudica o desem-
penho de resistência4,5 , enquanto outros estudos demonstraram produ-
zir uma melhora no último6,7,8,9 . Logo o objetivo do presente artigo
é fazer uma revisão de literatura a respeito da influência do treina-
mento de força no desempenho de resistência.
EFEITOS DO TREINAMENTO DE FORÇA SOBRE O CONSUMO MÁXIMO DE OXIGÊNIO
(VO2 máx.)
O VO2 máximo pode ser definido como a máxima capacidade de captação
(pulmões), transporte (coração e vasos) e utilização de oxigênio
(principalmente pelos músculos), durante o exercício dinâmico10. Estu-
dos demonstraram resultados bastante controversos devido, principal-
mente, aos diferentes protocolos de treinamentoutilizados. Estudos em
programas de treinamento de força em circuito não produziram aumentos
substanciais no VO2 máx de indivíduos sejam atletas ou de indivíduos
interessados em aumentar a sua aptidão física2,11. Da mesma forma
outros estudos4,6,7,9 relataram haver pouca ou nenhuma alteração no
VO2 máx. apesar do aumento na força muscular, quando utilizado o
treinamento de força tradicional. Por outro lado, Gettman et al. 5,
estudando um grupo de homens e mulheres saudáveis, verificaram um
aumento de 17% no VO2 máx. no grupo que utilizou treinamento de força
em circuito combinado a exercícios de corrida, enquanto o grupo que
treinou somente força em circuito, aumentou em 12%.
O treinamento de força com altas cargas não é normalmente considerado
a ter um impacto sobre o V02 máx. Entretanto, o V02 máx. de fisicultu-
ristas competitivos, levantadores de peso olímpicos e levantadores de
força atinge de 41 a 55 ml/kg/min-1,que são valores médios para o V02
máx.2 . Isso poderia ser interpretado a significar que o treinamento
de força pode causar aumento no V02 máx. em alguns, mas não todos os
programas de força. A última explicação é mais plausível. Tais fatores
como o volume de treinamento total, os períodos de descanso entre as
séries e exercícios envolvendo grandes massas musculares versus peque-
nas musculaturas poderiam levar em conta diferenças no V02 máx. entre
atletas de treinamento de força de elite.
O treinamento com pesos em circuito consiste de se desempenharem con-
juntos de exercícios de 12-15 repetições a 40–60 % de um 1RM com 15-30
segundos de intervalo entre as séries5. Esse tipo de treinamento causa
um aumento moderado no V02 máx. de 4 % nos homens e 8 % nas mulheres em
8-20 semanas de treinamento5 . Programas de treinamento de força mais
tradicionais usando 3-5 séries de cada exercício e cinco repetições por
série resultam em V02 máx. constante9 . Um programa de treinamento de
levantamento de peso resulta em ganhos moderados no V02 máx. absoluto
(9 %) e relativo (8 %) em um período de 8 semanas12. Nesse estudo,
durante as primeiras cinco semanas de treinamento, 3-5 séries de um
exercício de 10 repetições por séries e períodos de repouso de 3-4
minutos entre as séries, foram desempenhados por duas sessões de
treinamento por dia em 3 dias alternados por semana. Em dois dias da
semana, cinco séries de 10 saltos verticais foram desempenhados, fa-
zendo um total de cinco dias de treinamento por semana. Esse período
de treinamento resultou no ganho em V02 máx. (39,5-42,4 ml/kg/min-1).
As duas semanas seguintes de treinamento foram essencialmente iguais
às primeiras cinco semanas exceto às três séries, que foram de cinco
repetições por exercício que foram realizados. Esse período de trei-
namento não resultou em maior aumento no V02 máx. Os resultados desses
estudos indicam que um grande volume de treinamento típico de força
pode resultar em ganhos moderados no V02 máx. Entretanto, o aumento
no V02 máx. trazido pelo treinamento de força é de uma magnitude menor
que os ganhos de 15-20 % normalmente associados com um programa de
treinamento tradicional de corrida, ciclismo ou natação13.
De acordo com os estudos, as alterações no VO2 máx. gerados pelo trei-
namento de força dependem do tipo de protocolo de treinamento utili-
zado; as mudanças não aconteceram com o treinamento de força tradi-
cional. Entretanto, aumentos do VO2 máx. foram observados a partir do
treinamento de força em circuito. O que enfatiza o ponto de que o tipo
de programa afetará as adaptações no VO2 máx., principalmente em indi-
víduos destreinados. Em indivíduos treinados, essa melhora parece ser
hipotética e não baseada em evidências científicas11.
EFEITOS DO TREINAMENTO DE FORÇA SOBRE A ECONOMIA DE MOVIMENTO
De acordo com AntoniazziI et al.14, uma melhora na economia de movi-
mento permite ao atleta aumentar a eficiência mecânica e a utilizar
menos energia como a redução da demanda de oxigênio para realizar os
movimentos por mais tempo e por maiores distâncias em uma dada veloci-
dade, podendo gerar aumentos no desempenho de resistência. Hoff et al.6,
estudando um grupo de esquiadoras treinadas que participaram de um trei-
namento de força de alta intensidade específico para membros superiores,
demonstraram aumento significativo em economia de movimento de impulso
com os bastões. Da mesma forma, foram encontradas melhoras significativas
na economia de movimento no grupo de corredoras de longa distância que
participaram de um programa de treinamento simultâneo de força e resis-
tência (corrida em esteira), enquanto o grupo que treinou somente
resistência não apresentou mudanças significativas7. Esses estudos
indicam que o treinamento de força melhora a economia de movimento de
exercícios de resistência como corrida de longo ou curto período, ci-
clismo e esqui em indivíduos treinados e não treinados.
EFEITO DO TREINAMENTO DE FORÇA SOBRE O LIMIAR DE LACTATO
Segundo Wilmore e Costill13, o aumento do limiar de lactato é um fator
importante na melhora do desempenho de atletas de resistência altamente
treinados aeróbiamente. A capacidade de se exercitar numa intensidade
elevada sem acúmulo de lactato é benéfica para o atleta, pois a forma-
ção de lactato contribui para a fadiga. Estudos demonstraram que o
treinamento de força de alta intensidade produz pouca ou nenhuma mu-
dança no limiar de lactato em atletas de ciclismo e corrida4,9. Por
outro lado, Marcinick et al.8 observou que o treinamento de força
gerou aumento significativo de 12% no limiar de lactato durante exer-
cícios de ciclismo e corrida com intensidade entre 55% e 75% do VO2
máx. em homens saudáveis não treinados e concluiu que a melhora na
performance de resistência foi associada ao aumento no limiar de
lactato. De acordo com estes estudos, parece que o treinamento de for-
ça é capaz de gerar alterações significativas no limiar de lactato
somente em indivíduos não treinados.
EFEITOS DO TREINAMENTO DE FORÇA SOBRE O TEMPO ATÉ A EXAUSTÃO
Aumentar a capacidade do corpo em prolongar esforços repetitivos tan-
to de alta quanto de baixa intensidade (aumentar o tempo até a exaus-
tão) pode ser considerado como um fator que indica melhora no desem-
penho de resistência14. Hoff et al.6, investigando um grupo de esquia-
doras treinadas, estudando os efeitos de um programa de treinamento com
pesos de alta intensidade, encontraram aumentos no tempo até à exaustão
tanto para o grupo que utilizou treinamento de força quanto para o gru-
po de controle, porém, o aumento foi maior para o primeiro grupo. Um
outro estudo realizado por Hickson et al.16 demonstrou que o treina-
mento de força, embora não tenha gerado aumentos significativos no VO2
máx. gerou um aumento de 47% no tempo até a exaustão durante o exercí-
cio de bicicleta e de 12% no exercício de corrida pós-treinamento em
indivíduos não atletas do sexo masculino. Da mesma forma8,14,16 foram
encontraram aumentos substanciais no tempo até a exaustão também na
corrida e ciclismo. De acordo com os estudos, foi observado que apesar
de gerar pouca ou nenhuma mudança no VO2 máx., o treinamento de força
gera aumentos no tempo até a exaustão em exercícios de corridas de lon-
ga ou curta distancia, ciclismo e de esqui executados tanto por atle-
tas treinados quanto sedentários.
EFEITOS DO TREINAMENTO DE FORÇA SOBRE A FREQÜÊNCIA CARDÍACA
Durante um exercício, ocorrem varias alterações cardiovasculares.
Todas apresentam um objetivo comum: permitir que o sistema cardio-
vascular satisfaça as demandas aumentadas impostas a ele e que o
mesmo realize suas funções com máxima eficiência. A freqüência car-
díaca, que é uma função do sistema cardiovascular, aumenta em propor-
ção direta a intensidade do exercício até se encontrar próximo a ponto
de exaustão. À medida que se aproxima desse ponto, a freqüência car-
díaca começa a se estabilizar, indicando que está aproximando- se do
valor máximo, ou seja, a freqüência cardíaca máxima13.
De acordo com Antoniazzi et al.14, o treinamento de força isoladamente
parece reduzir significativamente a freqüência cardíaca de repouso e
tende aumentar não muito significativamente a freqüência cardíaca
máxima em uma população com indivíduos sadios, com idades entre 50
a 70 anos que não praticaram nenhum tipo de exercício físico nos
seis meses que antecederam o estudo. Por outro lado, alguns estudos
que envolveram o treinamento simultâneo de força e resistência,
demonstraram haver pouca ou nenhuma mudança na freqüência cardíaca
máxima pós- teste5,7. Estes estudos indicam que o treinamento simul-
tâneo de força e resistência ou o treinamento isolado de força geram
pouca ou nenhuma mudança na freqüência cardíaca máxima ou de repouso.
CONCLUSÃO
Com base nos estudos revisados, muitos autores sugerem que o trei-
namento de força pode ser um valioso auxilio ao programa de exer-
cícios de atletas de resistência como corredores de longa e curta
distância, ciclistas e esquiadores, pois este, apesar de gerar pou-
co ou nenhum aumento no VO2 máx., aumenta a potência anaeróbia,
melhora a economia de movimento e aumenta também o tempo ate a
exaustão de exercícios de corrida, esqui e ciclismo. Sendo assim,
seus efeitos parecem ser positivos em relação à melhora no desem-
penho de resistência.
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